quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A fábula da professora e as uvas

Durante sua vida universitária curtiu adoidadamente as rodadas de chope, as aulas cabuladas para passeios noturnos, ou os adoráveis bate-papos e paqueras próximas à cantina. Vez por outra, assistiu aulas. Menos pelo interesse em aprender e muito mais para escapar do regime de faltas e para ver se, com prudência e malícia, podia colar esta ou aquela resposta de um colega mais distraído. Concluiu seu curso como muitos concluem, valorizando apenas o valor profissional do Certificado.
Atirada ao mercado de trabalho, tratou de procurar aulas. Seu primeiro anseio foi a escola particular do bairro de classe alta, ajardinada pelas mensalidades salgadas onde, segundo diziam, pagava-se mal os mestres mas os enchia de vaidade.
Entrevistada pela Orientadora Educacional, foi rispidamente desiludida:
- Ah, minha filha. Embora estejamos precisando de professores, não é possível contratá-la. Em dez minutos de entrevista você cometeu doze erros de Português e é justamente essa disciplina que você quer ministrar. Não é possível.
Sem desanimar com esse primeiro “não”, partiu para uma segunda, depois para uma terceira, quarta e quinta escolas, chegando até às entrevistas, mas não sobrevivendo aos desafios impostos pelas mesmas. Seu desânimo maior foi atestado por um porteiro da sexta escola procurada que, ao ouvir suas lamúrias, filosofou com a sabedoria dos simples:
- Não adianta não, moça. Para que se contrate professores é necessário o conhecimento de pelo menos um pouco da disciplina, caso contrário, podem ser admitidas como inspetoras de alunos mas, como a menina pode ver, nessas funções todos os cargos já estão preenchidos.
Após outras tentativas como a de deixar o nome nas delegacias de ensino, sindicatos e colegas colocados, percebeu que o vazio de seus tempos de estudante se refletia na agonia do desemprego. Retirando-se para a casa dos pais, passou a investir em um casamento que não a estimulava mas rendia saldos. E ponderou:
-Graças a Deus. Até que sou uma pessoa de sorte. Imagine, eu tendo que suportar o sacrifício de dar aula para alunos ricos ou, pior ainda, para os da escola pública! já pensou na chatice de agüentar crianças e adolescentes? já imaginou a necessidade de se atualizar sempre e ter que ler jornais pelo menos uma vez por semana? Nada como ficar desempregada e pensarem fundamentos epistemológicos aqui em casa, onde meu analfabetismo jamais será descoberto.
Moral: Falsos mestres, ao invés do desafio da aula, preferem demagogicamente filosofar...

11 comentários:

  1. Falsos mestres! A consciência de não ser assim reconhecidos futuramente, faz com que nós alunos nos esforcemos bastante. Reconheço que são noites perdidas e que nós precisamos abdicar de muitas coisas ao estudar: Seja distência da família, falta de atenção ao companheiro(a), etc. Mas como relatado no texto acima, todo esse esforço VALE A PENA

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  2. O texto nos faz refletir sobre nossa dedicação durante nossa formação acadêmica, Para que estamos estudando? Para obter um diploma ou para ser um profissional competente na area em que atuaremos?É preciso dedicação ao que se faz, principalmente quando esta formação esta relacionada à educação.

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  3. Antes de começar qualquer coisa, devemos conhecer primeiro de que se trata e dai seguir em frente. Quando se faz o que se gosta, nos tornamos bons alunos, nos dedicamos e consequentemente nos tornamos bons profissionais.O que nos vemos na área de educação é que muitos estudante optam em segui-la por falta de opção, principalmente aqui em nossa cidade.

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  4. Notei no texto que o principal objetivo da formanda, era simplesmente o "canudo", não se importando com o grau de instrução que teria pós-formação. Porém junto com esse pensamento imaturo, ela teve também as consequências, o desemprego.
    Temos que nos conscientizar, primeiro de procurar fazer algo que nos agrade, pois assim será mais fácil transpor os obstáculos que aparecerem durante nossa formação. Segundo, temos que ter responsabilidades e prioridades, não que a universitária do texto tivesse que abandonar as festas, porém ela deveria ter se atentado as suas prioridades não deixando as farras serem mais importante que as aulas.
    Partindo disso creio que não nos tornaremos FALSOS MESTRES...

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  5. Tem um ditado que diz: quem barra o aluno não é a escola e sim o mercado de trabalho, de nada adianta se ele vai para escola somente bater papo encher linguinça, ficar na cantina se não aprender de fato os conhecimentos, dois quais jamais lhe serão tirados.
    Abcs

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  6. Pois bem, esse texto me fez/faz lembrar das noites que passo em claro estudando pra provas, de aniversarios esquecidos, do stress, varios momentos que a maioria dos academicos vivem!
    A questão é que temos a oportunidade da ESCOLHA, isso faz com cada um tome seu rumo assumindo ou ocultando as consequencias sejam elas boas ou ruins. .

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  7. O que realmentente o acadêmico quer? Essa é a realidade de pessoas que se formam mas não gostam do que irão fazer é muito grande. É por isso que vivenciamos um desafio na educação, profissionais que não amam o que fazem...!

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  8. Esse texto mostra que os alunos deram sorte de escapar duma professora que nada iria contribuir para a EDUCAÇÃO, mas infelizmente a realidade não é essa, muitos desses falsos mestres já conseguiram se infiltrar nas escolas, principalmente nas públicas, parecem uma erva danina. Essa fábula serve de alerta aos que fazem EDUCAÇÃO de verdade, aos que são responsáveis pelas contratações, devem ser muitos seletivos sim, em prol do desenvolvimento de nossas crianças.

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  9. O texto aborda uma questao muito importante para nós, futuros professores. Quantas vezes ja nos perguntamos, Pra que estamos estudando isso? Pra que estudar?
    Toda conquista requer um esforço...
    E o unico esforço que um futuro professor pode fazer é ESTUDAR.
    Sabemos que no futuro vamos ser educadores, vamos estar repassando o conhecimento para outras pessoas, e esse conhecimento tem que ser repassado de qualquer jeito?
    Com certeza não! temos que ter e passar confiança para nossos educandos, e para isso precisamos estar preparados, atualizados e mais, temos que ter dedicação a nossa profissão.

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  10. O texto nos abre os olhos para as consequências que teremos que enfrentar, ou para os frutos que poderemos colher, tudo dependerá de que tipo de estudante somos hoje, toda nossa dedicação terá uma recompensa ao passo que nosso desleixo não passará em branco.

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  11. Será que é necessário fazer como alguns professores fazem, reprovar alunos por décimos, dificultar ao máximo as provas, o texto nos deixa claro que o mercado de trabalho vai fazer a sua seleção natural, e cabe a nós hoje estudantes sabermos se seremos os escolhidos ou os excluídos. Este nao é o papel do professor, é uma decisão do aluno!!!

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